Ruído e tráfego
Os camiões da central só teriam dois caminhos: através de Avelãs de Ambom ou de Pêra do Moço. Quantos seriam não foi divulgado: usamos um valor conservador, assinalado (Pressuposto).
24 + 26 (Pressuposto)
passagens de camiões por dia em Avelãs de Ambom e em Pêra do Moço (ida e volta). A capacidade não foi divulgada: é um valor conservador que assumimos.
≈ 89 dB(A)
à porta de uma casa a 5 m(Pressuposto), em cada camião que passa: ≈ 60 dB acima do ruído de fundo típico da noite(pressuposto: distância de 5 m e ruído de fundo típico da noite, não medido nas aldeias).
60–95
movimentos de camiões por dia em centrais comparáveis no Reino Unido (Stormy Down 60, Skipton-on-Swale 95). As nossas 25(Pressuposto) cargas por dia são um valor conservador, provavelmente do lado baixo.
Em média, as contas são modestas: com 25(Pressuposto) cargas por dia, só de dia, o ruído junto à estrada fica em Lden ≈ 51 dB em cada aldeia (≈ 54 dB se todas passarem pela mesma), abaixo do valor-guia da OMS de 53 dB. O impacto está nos picos e na noite, e as 25(Pressuposto) cargas por dia são um valor conservador, provavelmente do lado baixo. Cada passagem chega a ≈ 89 dB(A) à porta de uma casa, num campo onde o ruído de fundo típico (não medido nas aldeias) fica entre 28 e 35 dB(A)(pressuposto: valores típicos do campo, não medidos nas aldeias). Uma só carga à noite leva o Lnoite junto à estrada a ≈ 44,9 dB: praticamente no valor-guia da OMS (45 dB).
Um dia de camiões, em menos de um minuto
Hora simulada --:-- estradas vazias: a avançar depressa
Movimento reduzido: camiões parados, espaçados ao longo das rotas.
- Avelãs de Ambom: 0 de 24 passagens hoje (Pressuposto)
- Pêra do Moço: 0 de 26 passagens hoje (Pressuposto)
25 cargas por dia, metade por cada aldeia, das 07 às 20 h. O relógio acelera quando não há camiões na estrada. (Pressuposto)
zona onde cada camião fica ≥10 dB acima do ruído de fundo (pressuposto: margem de 10 dB, uma opção de modelação)
Simulação ilustrativa baseada em estudos de outras centrais, na lei portuguesa e nas diretrizes da OMS; não substitui um estudo de ruído do projeto.
Baseado em dados reais
Dados reais ou medidos
- Rotas rodoviárias (OpenStreetMap)
- Distâncias (medições do MOV.AP sobre imagem de satélite)
- Climatologia do vento na Guarda (ERA5)
- Ruído de outras centrais e de camiões (estudos publicados)
- Limites da lei portuguesa (Regulamento Geral do Ruído)
- Valores-guia da OMS para ruído rodoviário
Pressupostos assinalados (Pressuposto)
- Pressuposto: 25 cargas por dia (capacidade não divulgada)
- Pressuposto: Ruído de fundo típico do campo (28–35 dB(A)), não medido nas aldeias
- Pressuposto: Divisão das viagens entre as duas rotas (50-50)
- Pressuposto: Horário de trabalho dos camiões
- Pressuposto: Cenário de ruído da central (baixo, central, alto)
- Pressuposto: Distância à fachada de 5 m
- Pressuposto: Velocidade dos camiões (30 km/h nas aldeias, 60 km/h fora)
- Pressuposto: Tempo de descarga (45 min)
De onde vem o ruído da central
Não encontrámos nenhum estudo de ruído deste projeto. Em centrais de biogás estudadas noutros países, o ruído vem dos motores de cogeração, dos compressores e da unidade que purifica o gás, dos ventiladores, das bombas, do queimador (flare), das máquinas que movimentam a matéria-prima e dos alarmes de marcha-atrás.
- Um motor de cogeração num contentor: 65 dB a 10 m, segundo o fabricante.
- A descarga de matéria-prima num pavilhão: 117 dB(A) de potência sonora.
- Uma unidade de pré-tratamento: 76 dB a 5 m, com picos de 84 dB.
- O zumbido de motores e compressores é tonal; a lei portuguesa soma-lhe uma penalização de 3 dB(A).
Não encontrámos a potência sonora dos compressores de injeção na rede, dos ventiladores do biofiltro, dos trituradores nem das pás carregadoras.
Somando os equipamentos, estimamos 104(Pressuposto) dB(A) de potência sonora para a central inteira (cenário central, confiança baixa). A 1 km, isso daria ≈ 29 dB(A), perto do ruído de fundo típico da noite (28 dB(A)(pressuposto: valores típicos do campo, não medidos nas aldeias), não medido nas aldeias). Os camiões passam muito mais perto das casas.
O que diz a lei
O Regulamento Geral do Ruído (RGR) tem duas regras para uma atividade ruidosa permanente como esta central.
- Limites da zona. A 1.ª revisão do PDM da Guarda (Aviso n.º 30765/2025/2) classifica os aglomerados rurais como zonas mistas: aí, o ruído não pode passar Lden 65 dB(A) nem Ln 55 dB(A). Esta revisão só entra em vigor com a publicação da delimitação da REN do concelho, e não confirmámos se isso já aconteceu. Onde as zonas ainda não estão classificadas, o RGR aplica Lden 63 dB(A) e Ln 53 dB(A). Também não verificámos nas plantas do PDM se as duas aldeias estão classificadas de outra forma.
- Critério de incomodidade. O ruído com a atividade a funcionar não pode passar o ruído sem ela em mais de 5 dB(A) de dia, 4 ao entardecer e 3 à noite.
O critério de incomodidade não se aplica quando o ruído ambiente exterior é igual ou inferior a 45 dB(A) (art. 13.º, n.º 5). Numa aldeia sossegada, o ruído de fundo típico do campo fica entre 28 e 35 dB(A) (valores típicos, não medidos nas aldeias), muito abaixo de 45: é provável que esta regra não proteja os moradores. É uma leitura do texto da lei, não um parecer jurídico.
Para os camiões nas estradas públicas, o RGR aplica limites à estrada e deixa o ruído de cada veículo para a homologação; não encontrámos uma regra explícita sobre se o tráfego gerado pela central conta como parte da atividade.
Em resumo: uma central que cumpra a lei pode, ainda assim, ouvir-se claramente nas aldeias.
Saúde: os valores da OMS
Para o ruído do tráfego rodoviário, a OMS recomenda um Lden abaixo de 53 dB e um Lnoite abaixo de 45 dB. O Lden é uma média de 24 horas que pesa mais o entardecer (+5 dB) e a noite (+10 dB).
Uma média esconde os picos. Para acordar, conta cada passagem: as diretrizes noturnas de 2009 põem o limiar de despertar em cerca de 42 dB(A) de pico dentro do quarto. Com a janela entreaberta, a fachada perde cerca de 15 dB, e um camião à porta fica muito acima desse limiar.
O ruído do tráfego está ligado a incómodo, sono perturbado e doença cardiovascular. Na Europa, a Agência Europeia do Ambiente estima cerca de 66 000 mortes prematuras e 50 000 novos casos de doença cardiovascular por ano ligados ao ruído dos transportes.
Camiões noutras centrais
A capacidade da central e o número de camiões não foram divulgados. Estas centrais do Reino Unido têm números públicos de tráfego de pesados (cada movimento é uma passagem, à ida ou à volta):
| Central | Matéria-prima (t/ano) | Movimentos de pesados por dia |
|---|---|---|
| Skipton-on-Swale (UK) | 144 000 | 95 |
| Stormy Down (UK) | 48 500 | 60 |
| Buckminster (UK) (só uma corrente de matéria-prima) | 80 000 | 17 |
Em Portugal, os estudos de impacte ambiental de Torres Novas, Abrigada e Sousel existem, mas não conseguimos ler os números de camiões. O digerido (o que sobra da digestão) também sai de camião e é contado à parte. As nossas 25 cargas por dia (Pressuposto) são um valor conservador, provavelmente do lado baixo: centrais comparáveis no Reino Unido têm 60–95 movimentos por dia. Uma central mais pequena precisaria de menos: com 30 000 t/ano, a matéria-prima daria cerca de 3 cargas por dia (estimativa nossa (Pressuposto)).
Estrada, vibração e emissões
- Desgaste da estrada. O dano no pavimento cresce muito depressa com o peso por eixo: a regra clássica é a quarta potência, por isso um eixo com o dobro do peso estraga cerca de 16 vezes mais. Estudos mais recentes apontam expoentes entre 2 e 4, conforme o pavimento.
- Vibração. A vibração dos camiões vem sobretudo dos buracos e remendos da estrada e aumenta com a carga e a velocidade; pode sentir-se dentro de casa. Os estudos não mostram danos estruturais em casas sólidas, mas foram feitos sobretudo em edifícios modernos. Um registo das fissuras das casas antes e depois é um pedido razoável.
- Ruas das aldeias. Cada rota atravessa cerca de 750 a 780 m de rua de aldeia. Na Irlanda, uma central de 90 000 t/ano foi recusada também porque a estrada local era pequena demais.
- Emissões e pó. Não encontrámos fatores de emissão por quilómetro (óxidos de azoto, partículas) que possamos citar para estes camiões, nem dados sobre o pó levantado.
O que perguntar
Pergunte à Câmara e ao promotor:
- Quantas cargas por dia, contando a matéria-prima e o digerido, nos dias normais e nos picos?
- Por que estradas? Os camiões atravessam Avelãs de Ambom, Pêra do Moço ou as duas?
- A que horas? Há camiões à noite ou ao fim de semana?
- Há estudo de tráfego e avaliação acústica? Com medições do ruído de fundo nas aldeias, de dia e de noite?
- Que equipamentos ficam ao ar livre? Que medidas reduzem o ruído: pavilhões fechados, alarmes de marcha-atrás de banda larga, horários?
- Quem verifica o ruído depois de a central abrir, e como se faz uma queixa?
Pode pedir estes documentos à Câmara ao abrigo da lei de acesso aos documentos administrativos (LADA): modelo de pedido.
Fontes nesta página
- Rotas rodoviárias entre o local e as aldeias: extração Overpass, 17.10.2026
- Ata da reunião ordinária da Câmara Municipal da Guarda de 19 de junho de 2026 (Ponto 18, Proposta VPCM n.º 10/2026)
- Regulamento (UE) n.º 540/2014, anexo III: limites de ruído de veículos (N3, medição a 7,5 m)
- FHWA: níveis de ruído de passagem de camiões pesados (Lmax a 50 pés)
- REC: Noise Impact Assessment, Coursers Farm AD (AC100899-1R3)
- ISO 9613-2: atenuação do som na propagação ao ar livre (método simplificado)
- Redmore Environmental: Noise Impact Assessment, Rufford AD (ref. 1288-2)
- EPA Irlanda: documento de licença com ruído de fundo rural noturno (LA90 30–31 dB(A))
- Development Control Committee report P/14/700/FUL (digestão anaeróbia de Stormy Down)
- Skipton-on-Swale (North Yorkshire): central de digestão anaeróbia recomendada para aprovação, até 144 000 t/ano
- Environmental Noise Guidelines for the European Region (2018): tráfego rodoviário, Lden 53 dB e Lnight 45 dB
- MOV.AP: medições sobre imagem de satélite, outubro de 2026 (distâncias do limite da parcela à zona de exploração de água, quintas e aldeias)
- Climatologia do vento no local, 2021–2025: reanálise ERA5 através da Open-Meteo Historical Weather API (16 setores, velocidade, dia/noite)
- Decreto-Lei n.º 9/2007: Regulamento Geral do Ruído (art. 3, 11 e 13, anexo I)
- Aviso n.º 30765/2025/2: 1.ª Revisão do PDM da Guarda, art. 34 (zonamento acústico)
- Night Noise Guidelines for Europe (2009)
- Europeans exposed to harmful noise pollution levels (notícia da AEA, 24.06.2025)
- South Kesteven District Council: S24/0568, anexo 1 (tráfego da central na zona de Buckminster)
- Unidade de Produção de Biometano de Torres Novas
- UAB Abrigada
- Unidade de Biometano de Sousel
- Equivalent single axle load (ESAL): a regra da quarta potência
- Groundborne vibrations generated by HGVs: effects of speed, load and road profile (G. R. Watts, TRRL)
- Permission refused for Kildare biomethane plant
Rotas rodoviárias entre o local e as aldeias: extração Overpass, 17.10.2026
Ata da reunião ordinária da Câmara Municipal da Guarda de 19 de junho de 2026 (Ponto 18, Proposta VPCM n.º 10/2026)
Regulamento (UE) n.º 540/2014, anexo III: limites de ruído de veículos (N3, medição a 7,5 m)
FHWA: níveis de ruído de passagem de camiões pesados (Lmax a 50 pés)
REC: Noise Impact Assessment, Coursers Farm AD (AC100899-1R3)
ISO 9613-2: atenuação do som na propagação ao ar livre (método simplificado)
- Sem ligação pública
Redmore Environmental: Noise Impact Assessment, Rufford AD (ref. 1288-2)
- Sem ligação pública
EPA Irlanda: documento de licença com ruído de fundo rural noturno (LA90 30–31 dB(A))
Development Control Committee report P/14/700/FUL (digestão anaeróbia de Stormy Down)
Skipton-on-Swale (North Yorkshire): central de digestão anaeróbia recomendada para aprovação, até 144 000 t/ano
Environmental Noise Guidelines for the European Region (2018): tráfego rodoviário, Lden 53 dB e Lnight 45 dB
MOV.AP: medições sobre imagem de satélite, outubro de 2026 (distâncias do limite da parcela à zona de exploração de água, quintas e aldeias)
- Sem ligação pública