Dossiê público Perguntas e o outro lado

Perguntas

Respostas curtas às perguntas que mais nos fazem, com as fontes.

O que é uma fábrica de biometano?

É uma instalação industrial onde bactérias decompõem resíduos orgânicos em tanques fechados, sem oxigénio. Sai biogás, com 50–70 % de metano, que é purificado em biometano para a rede de gás; sobra o digerido, espalhado nos campos como fertilizante.

Onde fica, exatamente?

Na União de Freguesias de Avelãs de Ambom e Rocamondo, entre Avelãs de Ambom e Pêra do Moço. A localização exata da parcela não foi publicada. O MOV.AP mediu o contorno da parcela sobre imagem de satélite; no mapa, a posição é aproximada.

Quem é o promotor?

A Lambert Bioenergy (Biometano Cosmos, Unipessoal Lda.). Em reunião de Câmara, o presidente disse não saber quem é o dono. Um vereador disse que a proposta chegou por email de uma sociedade espanhola, a «Lambert», e que o número de contribuinte é de outra empresa. A certidão permanente foi pedida três vezes; os documentos enviados aos vereadores em agosto não são públicos.

O projeto já está aprovado?

Não. A Câmara reconheceu o interesse público municipal e a Assembleia Municipal deu um «parecer positivo de intenção». O presidente chamou-lhe «uma mera intenção» e disse que ainda falta o licenciamento urbanístico e ambiental. Uma central de biometano precisa de registo prévio na DGEG e de licenças ambiental e urbanística antes de funcionar.

Vai haver um estudo de impacte ambiental?

Depende da capacidade, que não foi divulgada. A avaliação de impacte ambiental é obrigatória a partir de 100 t/dia, ou para qualquer capacidade numa área sensível; abaixo disso, a necessidade é analisada caso a caso.

Vai haver consulta pública?

Até 16 de outubro de 2026 não encontrámos nenhuma no portal Participa. Se houver avaliação de impacte ambiental, a consulta dura 30 dias úteis e qualquer pessoa pode participar. Publicaremos a data na agenda assim que for conhecida.

Que resíduos vai tratar, e quantos?

A única informação pública é «resíduos orgânicos não perigosos». Os tipos, as toneladas e a origem não foram divulgados.

Quantos camiões vão passar?

Não se sabe: o número não foi divulgado. Em centrais comparáveis noutros países, os estudos de tráfego preveem dezenas de movimentos de pesados por dia. O número certo tem de vir do estudo de tráfego do projeto.

A que distância ficam as casas?

Medido pelo MOV.AP desde o limite da parcela: a zona de exploração de água conhecida pelos moradores a 352 m, a Quinta Monte Frio a 370 m, a Quinta a nascente a 654 m, o limite de Avelãs de Ambom a 1 038 m e a igreja de Pêra do Moço a 1 391 m.

Há uma distância mínima obrigatória em Portugal?

Não encontrámos nenhuma. Em França são 200 m das habitações de terceiros; em Castilla-La Mancha, um projeto de decreto propõe 2 000 m.

Vai cheirar mal?

Depende do projeto, da gestão e do vento. Em inspeções de campo, o odor de centrais de biogás foi sentido até 250–600 m. Na Guarda, sobretudo no verão, os ventos de oeste e noroeste levariam o odor para leste e sudeste; no inverno também sopram de nordeste e de sul. O simulador mostra uma estimativa ilustrativa.

É perigoso para a saúde?

A evidência mais forte é sobre o incómodo dos odores e o seu efeito na qualidade de vida. A de danos tóxicos diretos para os vizinhos em funcionamento normal é fraca. O risco tóxico grave é sobretudo para trabalhadores, em acidentes.

Como posso pedir os documentos do processo?

Qualquer pessoa pode pedir documentos administrativos sem dizer porquê; a entidade tem 10 dias para responder e, se não responder, pode queixar-se à CADA em 20 dias. No dossiê da Guarda há um modelo de carta pronto a usar.

A petição online tem valor legal?

Sim, se cada assinatura tiver o nome completo e o número do documento de identificação; a lei aceita assinaturas recolhidas noutras plataformas eletrónicas. Na Assembleia da República, com mais de 1 000 assinaturas os peticionários são ouvidos, com mais de 2 500 há debate em comissão e com mais de 7 500 em plenário.

O outro lado

Os promotores e os defensores do biometano têm argumentos. Alguns são verdadeiros. Aqui estão, com uma resposta justa a cada um.

«É gás renovável que substitui gás importado.»

É verdade em princípio. A UE quer 35 mil milhões de m³ de biometano por ano até 2030 e Portugal quer cobrir até 9,1 % do consumo de gás com biometano em 2030. A nossa pergunta não é se o biometano deve existir, mas onde, com que dimensão e com que informação pública.

«Traz benefícios para o clima.»

É real quando as fugas são baixas: o estrume guardado ao ar livre já emite metano, e a digestão capta-o. Mas as perdas medidas ficam em média entre 2 % e 5 % da produção, o que come parte do benefício. Grande parte é evitável com boas práticas, por isso as exigências de controlo de fugas devem constar da licença.

«Dá valor aos resíduos.»

Em parte é verdade: o plano nacional aposta em resíduos urbanos, lamas de ETAR, agricultura, pecuária e agroindústria como matéria-prima. O benefício depende dos resíduos aceites, que na Guarda não foram divulgados.

«O digerido substitui os adubos químicos.»

É válido se for espalhado na altura certa e com equipamento adequado: a aplicação localizada ou a injeção reduzem muito as perdas de azoto. Os riscos vêm do excesso, da má altura, dos derrames e de resíduos contaminados.

«Cria emprego.»

A proposta da Guarda anuncia 13 empregos diretos e cerca de 80 indiretos. Noutro caso, em Alenquer, eram cerca de 7 empregos diretos para 20,5 milhões de euros. O emprego conta, mas não substitui a avaliação dos impactos.

«Uma central bem feita é segura.»

O organismo francês de análise de acidentes concorda que a maioria dos incidentes vem de falhas de conceção, manutenção, formação e organização, que são evitáveis. Mas continuam a acontecer à medida que o setor cresce. Por isso pedimos que as garantias fiquem escritas antes de qualquer decisão.

«Cheira menos do que espalhar estrume.»

O digerido espalhado cheira geralmente menos do que o chorume em bruto. Mas a principal fonte de odor de uma central é a receção dos resíduos, não o espalhamento.

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Fontes nesta página

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  5. Ata da reunião ordinária da Câmara Municipal da Guarda de 13 de julho de 2026 Câmara Municipal da Guarda · 13.07.2026
  6. Ata da reunião ordinária da Câmara Municipal da Guarda de 27 de julho de 2026 Câmara Municipal da Guarda · 27.07.2026
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  10. Enquadramento Legal da Digestão Anaeróbia (nota técnica) LNEG / APA · 08.04.2026
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  33. Flash ARIA: Méthanisation, comment développer la filière sans développer les risques ? BARPI (Ministério da Transição Ecológica, França) · 2018-05
  34. Flash ARIA: Installations de méthanisation et rejet de biogaz BARPI (Ministério da Transição Ecológica, França), cópia em faceaurisque.com · 2023-01

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