Dossiê público Metodologia
Metodologia
Como fazemos o simulador, o mapa e a votação, e como classificamos as fontes. Tudo o que é parâmetro está aqui.
O simulador de odores
Simulação ilustrativa baseada em literatura científica e regras de outros países; não substitui um estudo de odores do projeto.
O simulador usa um modelo gaussiano em regime estacionário, o mais simples dos modelos de dispersão. É ilustrativo: não substitui um estudo de odores do projeto.
Concentração ao nível do solo (fonte ao nível do solo, H = 0 m; recetor a z = 1,5 m; com reflexão no solo):
C = Q / (π · σy · σz · u) · exp(−y² / 2σy²) · [exp(−(z−H)² / 2σz²) + exp(−(z+H)² / 2σz²)] / 2
- Q: emissão de odor (ouE/s), de acordo com o cenário escolhido.
- u: velocidade do vento (m/s), com um mínimo de 1,0 m/s. Abaixo de 1 m/s o vento é tratado como fraco e variável e o simulador desenha um círculo em vez de uma pluma.
- σy, σz: dispersão lateral e vertical (fórmulas de Briggs para meio rural), com uma dispersão inicial σy0 = 30 m e σz0 = 5 m somada em quadratura, para representar um terreno de cerca de 5 ha.
| Classe | σy | σz |
|---|---|---|
| A | 0,22·x·(1+0,0001x)^−½ | 0,20·x |
| B | 0,16·x·(1+0,0001x)^−½ | 0,12·x |
| C | 0,11·x·(1+0,0001x)^−½ | 0,08·x·(1+0,0002x)^−½ |
| D | 0,08·x·(1+0,0001x)^−½ | 0,06·x·(1+0,0015x)^−½ |
| E | 0,06·x·(1+0,0001x)^−½ | 0,03·x·(1+0,0003x)^−1 |
| F | 0,04·x·(1+0,0001x)^−½ | 0,016·x·(1+0,0003x)^−1 |
A classe de estabilidade (A–F) vem da tabela de Turner, a partir do vento, da altura do sol (calculada pela hora e pela latitude) e da nebulosidade; pode ser escolhida à mão.
Fator de picos. O método alemão conta uma «hora de odor» quando a média horária passa 0,25 GE/m³, ou seja, aplica um fator 4. Esse fator serve para contar frequências ao longo de um ano, não para desenhar onde se sente o cheiro numa hora; por isso vem desligado. Ligado, alonga muito a mancha: na classe D, com vento de 3 m/s e 20 000 ouE/s, o limiar de 1 ouE/m³ passa de cerca de 770 m para ≈ 1,9 km.
Limite e noites calmas. A mancha é cortada aos 3 km, o raio de avaliação de odores da lei francesa. Nas classes E e F (noites calmas e estáveis) o modelo é pouco fiável, por isso a mancha aparece tracejada.
Vento. O vento ao vivo vem da Open-Meteo, pedido pelo nosso servidor e guardado 15 minutos, para que o seu endereço IP não seja enviado a terceiros.
Condições típicas. O simulador abre em condições típicas: vento dominante de oés-noroeste (292,5°) a 3 m/s, céu encoberto (classe D, neutra) e o cenário médio de 20 000 ouE/s. Nestas condições o odor pode ser percetível até cerca de 770 m para és-sudeste. Todos os controlos podem ser mudados, e a ligação da página guarda a escolha.
Um ano de vento. Esta vista usa as horas de 2021–2025 da reanálise ERA5 para o local, agrupadas por rumo (16 setores), por classe de velocidade e por dia ou noite. Cada grupo passa pelo mesmo modelo, com o cenário escolhido: de dia com sol moderado, de noite com pouca nebulosidade. Cada setor de 22,5° é repartido por 9 direções intermédias, para que o resultado não dependa do rumo exato de cada aldeia. Para cada recetor mostra-se a percentagem de horas do ano acima de 1 e de 5 ouE/m³. Ventos abaixo de 1 m/s contam como 1 m/s no rumo registado, e lugares além dos 3 km não são contados.
Cenários de emissão
| ouE/s | Cenário |
|---|---|
| 10 000 | Baixo (fechado, tratamento de ar a funcionar) |
| 20 000 | Médio (média medida em centrais no terreno) |
| 80 000 | Alto (armazenamento aberto / secagem de digerido) |
| 150 000 | Avaria (falha do tratamento de ar) |
Limiares desenhados
| ouE/m³ | Significado |
|---|---|
| 1 | odor possivelmente percetível |
| 3 | odor provavelmente percetível |
| 5 | odor nítido / possível incómodo |
Limiares baseados nas referências inglesas e irlandesas de odor.
Validação: Com 20.000 ouE/s e condições diurnas o modelo dá 300–800 m; medições de campo em centrais de biogás europeias: 250–600 m.
Ruído e tráfego
Simulação ilustrativa baseada em estudos de outras centrais, na lei portuguesa e nas diretrizes da OMS; não substitui um estudo de ruído do projeto.
O modelo de ruído é ilustrativo: não substitui um estudo de ruído do projeto. As fórmulas seguem a versão simplificada da ISO 9613-2.
Central (fonte pontual, propagação hemisférica):
Lp(d) = LwA − 20·log10(d) − 8 − α·d/1000 − Agr
Agr = max(0; 4,8 − (2·hm/d)·(17 + 300/d)) (efeito do solo, solo poroso)
Passagem de um camião (nível de pico, menos 6 dB por cada duplicação da distância):
LAmax(d) = LAmax(7,5 m) − 20·log10(d / 7,5)
À fachada de uma casa soma-se +3 dB de reflexão (opção de modelação).
Energia de uma passagem e média do dia:
SEL = LAmax + 10·log10(π·d / v)
LAeq,T = SEL + 10·log10(N) − 10·log10(T) (N passagens em T segundos)
Lden, sobre os períodos do RGR: 13 h de dia (07–20), 3 h de entardecer (20–23, +5 dB) e 8 h de noite (23–07, +10 dB):
Lden = 10·log10((13·10^(Ld/10) + 3·10^((Le+5)/10) + 8·10^((Ln+10)/10)) / 24)
Halos dos camiões. Cada camião leva um halo até onde o seu pico, depois da absorção do ar e do efeito do solo (os mesmos α e hm da central), fica pelo menos 10 dB acima do ruído de fundo do período. É o que «claramente audível» quer dizer no mapa (opção de modelação). O raio d é a distância, calculada por aproximações sucessivas, em que:
LAmax(7,5 m) − 20·log10(d / 7,5) − α·d/1000 − Agr(d) = fundo + 10
Animação. Um dia simulado: o relógio anda devagar (1 minuto simulado por segundo) quando há camiões na estrada e depressa (1 hora em 2 segundos) quando as estradas estão vazias, sem saltar nenhuma partida. Com movimento reduzido, os camiões aparecem parados, espaçados ao longo das rotas.
Vento. Não encontrámos um valor defensável para corrigir o ruído com o vento: o vento aparece só como seta.
Parâmetros do modelo
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Potência sonora da central LwA (baixo / central / alto) | 98 / 104 / 110 dB(A) (Pressuposto) estimativa a partir de componentes (confiança baixa) |
| Penalização tonal (comparação com o RGR) | +3 dB(A) |
| Absorção do ar α | 2 dB/km |
| Altura média da fonte e do recetor hm | 1,5 m (Pressuposto) Altura média fonte/recetor assumida (1,5 m) |
| Períodos do RGR (dia / entardecer / noite) | 07–20 h / 20–23 h / 23–07 h |
| Ruído de fundo (dia / entardecer / noite) | 35 / 32 / 28 dB(A) (Pressuposto) |
| Critério de incomodidade (dia / entardecer / noite) | +5 / +4 / +3 dB(A) |
| Critério não aplicável com ruído ambiente até | 45 dB(A) |
| Limites da zona mista (Lden / Ln) | 65 / 55 dB(A) (Pressuposto) zona mista (1.ª revisão do PDM da Guarda, art. 34; entrada em vigor por confirmar). 1.ª revisão do PDM: entra em vigor com a publicação da delimitação da REN; não confirmámos se já está em vigor. |
| Limites sem zonas classificadas (Lden / Ln) | 63 / 53 dB(A) |
| OMS, ruído rodoviário (Lden / Lnoite) | 53 / 45 dB |
| LAmax de um camião a 7,5 m (baixo / central / alto) | 75 / 82 / 88 dB(A) |
| Distância à fachada e reflexão | 5 m (Pressuposto); +3 dB |
| Velocidade dos camiões (na aldeia / fora) | 30 / 60 km/h (Pressuposto) 30 km/h na aldeia: pressuposto (07 §9.2); 60 km/h fora das aldeias: opção de modelação |
| Cargas por dia (intervalo do simulador) | 25 (5–60) (Pressuposto) Capacidade e nº de camiões não divulgados: usamos 25 cargas por dia (50 passagens, ida e volta), um valor conservador, provavelmente do lado baixo. |
| Tempo de descarga | 45 min (Pressuposto) |
| Margem dos halos («claramente audível») | +10 dB (Pressuposto) opção de modelação |
(Pressuposto) = pressuposto, não um dado medido.
Contas de verificação (com os valores acima)
- Central a 1 km, cenário central: 104 − 20·log10(1000) − 8 − 2,0 − 4,7 (solo) ≈ 29,3 dB(A).
- À porta de uma casa a 5 m: 82 − 20·log10(5/7,5) + 3 ≈ 88,5 dB(A), arredondado para ≈ 89.
- Acima do ruído de fundo típico da noite: 88,5 − 28 = 60,5 dB; no texto, arredondado aos 5 dB: ≈ 60 dB.
- Uma passagem a 7,5 m e 30 km/h: SEL ≈ 86,5 dB(A).
- Junto à estrada, só de dia: 26 passagens dão Lden ≈ 51 dB; 50 passagens (todas pela mesma aldeia) dão ≈ 54 dB. OMS: 53 dB.
- Uma carga à noite (2 passagens em 8 h): Lnoite ≈ 44,9 dB. OMS: 45 dB.
- Um nível a menos de 1 dB do valor com que é comparado aparece com uma casa decimal.
Água
Simulação ilustrativa com dados oficiais e cenários de centrais reais; não substitui um estudo hidrogeológico do projeto.
O modelo da água é ilustrativo: faz contas de planeamento com dados oficiais e com cenários de centrais reais, não com números do projeto, que não foram divulgados. Não substitui um estudo hidrogeológico. As contas são as mesmas no servidor e no navegador, e cada número calculado das páginas da água sai dos parâmetros abaixo; nenhum é escrito à mão.
A água da central, retirada por igual ao longo do ano (Pressuposto):
T (t por ano) = cargas por dia × t por carga × dias de entregas por ano
W (m³ por ano) = T × m³ de água por tonelada
m³ por dia = W ÷ 365
L/s contínuos = m³ por dia ÷ 86,4
Em pessoas e em redes de abastecimento. Para as duas freguesias faz-se o mesmo que para as duas aldeias, e para as perdas reais da rede da Guarda o mesmo que para o consumo autorizado:
pessoas = m³ por dia ÷ (L por pessoa e por dia ÷ 1000)
× aldeias = m³ por dia ÷ (habitantes das duas aldeias × L por pessoa e por dia ÷ 1000)
× rede de Avelãs = m³ por dia ÷ m³ por dia distribuídos pela rede de Avelãs de Ambom
% da Guarda = 100 × m³ por dia ÷ consumo autorizado na Guarda (m³ por dia)
Em furos:
furos = m³ por dia ÷ (caudal de um furo em L/s × 86,4)
Em recarga. A recarga de um círculo é a lâmina de recarga vezes a área do círculo, e a parte da central é a água de um ano a dividir por essa recarga. Na sensibilidade, r é a recarga de sensibilidade:
V (m³ por ano) = r (mm por ano) ÷ 1000 × π × raio² (m²)
V da massa de água inteira (m³ por ano) = recarga total (hm³ por ano) × 10⁶
% da recarga = 100 × W ÷ V
O ano da água, no raio de 1 km, ao fim de cada mês:
recarga acumulada = Σ (parte do mês na recarga × V do raio de 1 km)
água retirada acumulada = m³ por dia × dias decorridos
Se a central usar a rede pública (Pressuposto), as comparações com a recarga e com os furos não se aplicam e não aparecem; fica a parte do consumo e das perdas da Guarda.
Evapotranspiração de referência (ETo), pelo método de Hargreaves-Samani, com as temperaturas médias mensais da Guarda:
ETo (mm no mês) = 0,0023 × (TT + 17,8) × √(TX − TN) × Ra × dias do mês
TT, TX e TN são as temperaturas média, máxima e mínima do mês (°C); Ra é a radiação que chega ao topo da atmosfera a 40,53° N, em mm de água por dia, calculada pelo procedimento FAO-56. Verificámos o método com as temperaturas da Guarda de 1971–2000: dá 852,7 mm por ano, contra 850,5 mm pelo mesmo método e 873,1 mm pelo método de Penman-Monteith num estudo publicado sobre a Guarda.
Modelo de água no solo, mês a mês, usado só para repartir a recarga pelos meses. O solo guarda até 100 mm de água (Pressuposto). Em cada mês:
evapotranspiração real = min(ETo; chuva + água guardada no solo)
A água que não cabe no solo escorre ou infiltra-se. No local, isso só acontece de novembro a março, e a recarga do ano é repartida por esses meses na proporção do excedente de cada um. O excedente (cerca de 247 mm por ano no local, cálculo nosso) é escoamento mais recarga, por isso não o usamos como recarga.
Défice de verão, com a chuva de Almeidinha e a ETo da Guarda (Pressuposto):
défice = soma de junho a setembro de (ETo − chuva)
Parâmetros do modelo
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Cargas por dia (as do modelo de ruído e tráfego) | 25 (Pressuposto) pressuposto de planeamento; o número real não foi divulgado |
| Carga por camião | 25 t (Pressuposto) |
| Dias de entregas por ano | 365 (Pressuposto) |
| Matéria-prima por ano (calculada: cargas × carga × dias) | 228 125 t por ano (Pressuposto) |
| Água por tonelada de matéria-prima, por tipo de central | Chorumes e estrumes (tipo Sousel): 0,084 m³/t Mistura agrícola e agroindustrial, sobretudo estrumes e chorumes, com higienização (tipo Torres Novas): 0,170 m³/t Média europeia, sobretudo biorresíduos (inquérito do JRC): 0,563 m³/t (Pressuposto) valores de projeto de outras centrais, não consumos medidos |
| Consumo doméstico por pessoa (Guarda, 2023) | 90,3 L por dia (Pressuposto) |
| Habitantes: as duas aldeias / as duas freguesias (Censos 2021) | 175 / 947 |
| Água distribuída pela rede de Avelãs de Ambom | 4 m³ por dia |
| Guarda: consumo autorizado / perdas reais da rede (2023) | 6 050 / 2 370 m³ por dia |
| Recarga média da massa de água PT03A0X1, aplicada ao local | 41,7 mm por ano (Pressuposto) |
| Recarga total da massa de água PT03A0X1 | 781,92 hm³ por ano |
| Recarga de sensibilidade (regressão da bacia do Tejo, à chuva do local) | 126 mm por ano (Pressuposto) |
| Repartição da recarga pelos meses (modelo de água no solo) | jan 31 %, fev 26 %, mar 1 %, nov 9 %, dez 33 % (Pressuposto) |
| Chuva no local: médias mensais de Almeidinha, 1959–98 (total do ano) | 786,9 mm por ano (Pressuposto) |
| Evapotranspiração de referência: Hargreaves-Samani com as temperaturas da Guarda de 1971–2000 (total do ano) | 852,6 mm por ano (Pressuposto) |
| Chuva na Guarda, normal 1991–2020 (referência; não entra nas contas da central) | 964,3 mm por ano |
| Escassez de água WEI+ da sub-bacia do Côa (1989–2015): no ano; mês a mês | 59 %; jan 24 %, fev 29 %, mar 40 %, abr 46 %, mai 68 %, jun 85 %, jul 93 %, ago 96 %, set 93 %, out 63 %, nov 43 %, dez 25 % |
| Caudal de um furo em granito: mediano / médio, bombeado 24 horas por dia | 0,28 / 0,54 L/s (Pressuposto) |
| Centro da parcela e círculos de comparação | 40,6208 N, 7,2285 W, ±50 m; círculos de 1 e 5 km (Pressuposto) |
(Pressuposto) = pressuposto, não um valor medido nem oficial para o local. Os números das páginas da água são calculados a partir destes valores.
Os três cenários, com os valores acima
| Resultado | Baixo: tipo Sousel | Central: tipo Torres Novas | Alto: média europeia |
|---|---|---|---|
| Água por ano (m³) | 19 163 | 38 781 | 128 434 |
| Água por dia (m³) | 52,5 | 106 | 352 |
| Caudal contínuo (L/s) | 0,61 | 1,2 | 4,1 |
| Pessoas com o mesmo consumo doméstico | 581 | 1 177 | 3 897 |
| Vezes o consumo doméstico das duas aldeias | 3,3 | 6,7 | 22,3 |
| Vezes o consumo doméstico das duas freguesias | 0,61 | 1,2 | 4,1 |
| Vezes a rede de Avelãs de Ambom | 13,1 | 26,6 | 88,0 |
| % do consumo autorizado na Guarda | 0,87 | 1,8 | 5,8 |
| % das perdas reais da rede da Guarda | 2,2 | 4,5 | 14,8 |
| Furos medianos em granito | 2,2 | 4,4 | 14,5 |
| Furos médios em granito | 1,1 | 2,3 | 7,5 |
| % da recarga no raio de 1 km | 14,6 | 29,6 | 98,0 |
| % da recarga no raio de 5 km | 0,59 | 1,2 | 3,9 |
| % da recarga da massa de água inteira | 0,0025 | 0,0050 | 0,016 |
| % da recarga no raio de 1 km, com a recarga de sensibilidade | 4,8 | 9,8 | 32,4 |
Cenários (Pressuposto), não números do projeto. Aqui com uma casa decimal (nenhuma a partir de 100), ou dois algarismos significativos abaixo de 1; nas páginas aparecem arredondados (m³ por dia às unidades a partir de 10, pessoas às dezenas a partir de 100, contadores às centenas de m³). Se a central usar a rede pública (Pressuposto), as linhas da recarga e dos furos não se aplicam.
Sensibilidade da recarga (Pressuposto): com 126 mm por ano em vez de 41,7 mm, o cenário «Central: tipo Torres Novas» poderia retirar 9,8 % da recarga do raio de 1 km, em vez de 29,6 %, e o cenário «Alto: média europeia» 32,4 %, em vez de 98,0 %. Mostramos esta sensibilidade porque é o valor de recarga mais favorável à central que encontrámos.
Os anos recentes e a normal da Guarda
A média dos anos recentes, 1 080 mm por ano, junta os 12 anos hidrológicos (de outubro a setembro) com total da Guarda nos nossos dados: 2014/15, 2015/16, 2016/17, 2017/18, 2018/19, 2019/20, 2020/21, 2021/22, 2022/23, 2023/24, 2024/25, 2025/26. Cada total soma os valores mensais dos boletins do IPMA, que são provisórios e vêm de uma estação automática. A normal 1991–2020 com que os comparamos, 964,3 mm, vem da estação 683 e é uma série híbrida, em parte observada e em parte modelada; as normais anteriores são de outra estação. Por isso a comparação é uma indicação, não a medição de uma tendência.
Escolhas entre fontes que não coincidem
- Recarga. Usamos em todo o lado a recarga média oficial da massa de água PT03A0X1: 781,92 hm³ por ano em 18 735,92 km², ou seja 41,7 mm por ano. É o único valor oficial para esta massa de água, calculado pela APA com um método documentado. Mostramos uma sensibilidade, 126 mm por ano: a regressão do LNEC para o Maciço Antigo da bacia do Tejo, Eb = 0,5210 × P − 284 (em mm), com a chuva escolhida para o local, 786,9 mm. Não foi ajustada para esta bacia; mostramo-la porque é o valor mais favorável à central. Não usamos como recarga a regra dos «cerca de 10 % da chuva» (só a encontrámos num resumo de pesquisa) nem o excedente do modelo de água no solo, que inclui o escoamento.
- Chuva no local. Usamos cerca de 730–790 mm por ano: as duas médias de longo prazo do udómetro de Almeidinha, a 871 m, na mesma bacia do Douro e num planalto parecido, 727,6 mm em 1971–2000 (SNIRH) e 786,8 mm em 1959–98 (GHCN). Os udómetros mais próximos têm séries com falhas ou não homogéneas. A média da sub-bacia do Côa, 670 mm em 1930–2015, também fica abaixo da chuva da Guarda. Nas contas mês a mês usamos as médias mensais de Almeidinha de 1959–98, 786,9 mm no ano: o topo do intervalo, para não exagerar a secura.
- A normal da Guarda. A normal 1991–2020, 964,3 mm na estação 683 a 1001 m, serve só para mostrar a forma do clima ao longo do ano, com o rótulo da cidade. É uma série híbrida, em parte observada e em parte modelada, e as normais anteriores são de outra estação (082): 882,0 mm em 1971–2000. A subida entre normais não é uma tendência. Os totais dos anos recentes somam valores provisórios dos boletins mensais do IPMA.
- Consumo por pessoa. 90,3 L por pessoa e por dia: o consumo doméstico faturado na Guarda em 2023. É a comparação justa com o que uma pessoa usa em casa. Um valor por pessoa com todos os usos autorizados (comércio e usos públicos incluídos) daria menos pessoas equivalentes. O valor por pessoa da rede de Avelãs de Ambom assenta num total arredondado às unidades e pode refletir poços e hortas particulares; usamos só o total da rede, na comparação «× rede de Avelãs».
- Um só conjunto de cenários. Os três tipos de central (baixo, central, alto) substituem os intervalos hipotéticos dos relatórios de pesquisa. Pusemos de lado uma alternativa com menos matéria-prima (cargas de 20 t em 260 dias por ano), porque o modelo de ruído e tráfego trata as cargas por dia como um mínimo e menos matéria-prima não seria a escolha prudente.
- Registo de captações e fontes das aldeias. O registo de captações da APA não mostra nenhuma captação de abastecimento público a menos de 5 km de Avelãs de Ambom ou de Pêra do Moço; a mais próxima fica a 5,5 km de Avelãs, na massa de água do Mondego. Mas Avelãs de Ambom e Rocamondo têm captações próprias de água subterrânea. As duas coisas são verdade: o registo está incompleto. Por isso as somas do registo são um mínimo, e a localização das captações das aldeias está na lista do que perguntar.
- Centro do local. Usamos o centro do contorno da parcela medido pelo MOV.AP, situado sobre a imagem de satélite oficial da DGT, com ±50 m, e não o ponto médio entre as aldeias. Voltámos a consultar as camadas da APA e do LNEG com este centro a 30.10.2026: a bacia (ribeira de Massueime), a massa de água e a geologia são as mesmas; a menos de 1 km há 3 poços agrícolas registados, com cerca de 3 000 m³ por ano.
- «Zona de Exploração de água». É conhecida pelos moradores, mas não a encontrámos em nenhum registo oficial que consultámos. Tratamo-la como zona por identificar, não como uma captação pública ou protegida.
- Estado da massa de água. Usamos o 3.º ciclo dos planos de gestão (2022–2027), o que está em vigor: estado global «Bom», estados quantitativo e químico «Bom mas em risco». Os valores do 1.º ciclo são só história.
- Bacia do local. Pelas camadas da APA, a parcela escoa para o Douro, sub-bacia do Côa; o limite com a bacia do Mondego fica a cerca de 0,9 km de Avelãs de Ambom, para oeste. A estação da Guarda fica do lado do Mondego: mais uma razão para não usar a chuva da cidade como chuva do local.
Pressupostos
Nenhum destes valores é medido nem oficial para o local. Cada um leva (Pressuposto) onde aparece no site.
- 25 cargas de camião por dia (Pressuposto): um pressuposto de planeamento, não um número do projeto; provavelmente um mínimo.
- Todas as 25 cargas trazem matéria-prima (Pressuposto); o digerido que sai não está contado nelas.
- 25 t por carga (Pressuposto), o valor do estudo de impacte ambiental de Ferreira do Alentejo.
- 365 dias de entregas por ano (Pressuposto), o que dá 228 125 t de matéria-prima por ano (625 t por dia).
- O tipo de central e a água por tonelada (Pressuposto) (0,084 / 0,170 / 0,563 m³/t): valores de projeto de outras centrais; a mistura de matéria-prima desta central não foi divulgada.
- Água retirada por igual ao longo do ano (Pressuposto) (o total do ano a dividir por 365); o modelo não tem picos sazonais.
- A água vem de um furo no local (Pressuposto), para as comparações com a recarga, os furos e o verão. Se a central usar a rede pública, essas comparações não se aplicam.
- A recarga média oficial da massa de água, 41,7 mm por ano, aplica-se ao local (Pressuposto).
- A sensibilidade de 126 mm por ano para a recarga (Pressuposto) transfere para o Douro uma regressão feita na bacia do Tejo.
- Local = centro da parcela, 40,6208 N, 7,2285 W, com ±50 m (Pressuposto), do contorno medido pelo MOV.AP, situado sobre a imagem de satélite oficial da DGT; não há um documento oficial georreferenciado da parcela. Este ponto define os círculos de 1 e 5 km.
- Chuva no local ≈ a do udómetro de Almeidinha (Pressuposto): cerca de 730–790 mm por ano nas duas médias de longo prazo; nas contas, as médias mensais de 1959–98 (786,9 mm por ano).
- Evapotranspiração no local ≈ a da Guarda, por Hargreaves-Samani com as temperaturas de 1971–2000 (Pressuposto). A do local é provavelmente um pouco maior, porque o local é mais baixo e mais quente.
- Capacidade de água utilizável do solo de 100 mm (Pressuposto) no modelo de água no solo.
- Os 90,3 L por pessoa e por dia aplicam-se aos habitantes das aldeias (Pressuposto): são uma média do concelho.
- Consumo doméstico das aldeias = habitantes dos Censos × 90,3 L por dia (Pressuposto): 15,8 m³ por dia nas duas aldeias.
- Caudal de um furo = a mediana dos furos em granito da bacia do Mondego, 0,28 L/s (média 0,54 L/s), bombeado 24 horas por dia (Pressuposto).
- As captações registadas na APA representam o uso atual (Pressuposto); são um mínimo conhecido, porque o registo está incompleto.
- A água de Pêra do Moço vem da zona de abastecimento Caldeirão, em todos os lugares da freguesia (Pressuposto): o edital usa nomes ao nível da freguesia.
- Posição e natureza da «Zona de Exploração de água» (Pressuposto): a distância de 352,3 m foi medida pelo MOV.AP, o centro (40,6161 N, 7,2306 W) é estimado com ±50 m, e o que a zona é continua por identificar.
O mapa
- Mapa de base. OpenStreetMap, servido a partir do nosso próprio servidor (sem pedidos a terceiros).
- Projetos. As coordenadas da maioria dos projetos são aproximadas (centro do concelho ou da instalação conhecida) e aparecem com um marcador vazio.
- Parcela da Guarda. O contorno vem das medições do MOV.AP sobre imagem de satélite e foi situado sobre a imagem de satélite oficial da DGT, com uma incerteza de cerca de ±50 m; ainda não foi confirmado por um documento oficial.
- Zonas. Os anéis mostram distâncias de outras centrais, de regras de outros países e de estudos genéricos. Cada um diz: «Zona indicativa — não é um modelo desta central».
A votação
Esta votação não é uma sondagem e não permite generalizações científicas.
- Quem organiza. O MOV.AP, um movimento de cidadãos que contesta o projeto. Dizemo-lo junto da pergunta.
- A pergunta. «Concorda com a instalação de uma fábrica de biometano entre Avelãs de Ambom e Pêra do Moço?», com as respostas Sim, Não e Não sei.
- Uma pessoa, um voto. O voto só conta depois de confirmado com um código de 6 dígitos enviado por email. Guardamos apenas um resumo irreversível do email, numa tabela separada dos votos, e apagamo-lo quando a votação fechar.
- Resultados por freguesia. Cada pessoa indica onde vive, para mostrar à parte os residentes locais, o resto do concelho da Guarda e as outras pessoas.
- Idade. 16 anos ou mais, declarados por quem vota.
- Sem margem de erro. Quem vota escolhe votar; os resultados representam só a opinião de quem respondeu. Seguimos as regras de transparência da associação americana de estudos de opinião.
Fontes e confiança
Alta: documento primário lido diretamente. Média: fonte oficial ou secundária resumida, ou caso diferente do da Guarda. Baixa: fonte indireta ou dedução nossa.
Se encontrar um erro, escreva-nos para [email protected] com a fonte. Corrigimos e registamos a data da correção.
Fontes nesta página
- ALOHA (Areal Locations of Hazardous Atmospheres) 5.4.4 Technical Documentation, NOAA Technical Memorandum NOS OR&R 43
- Die Entwicklung des Ausbreitungsmodells AUSTAL2000G (Berichte zur Umweltphysik 5, 2.ª edição)
- Arrêté du 12 août 2010 relatif aux prescriptions générales applicables aux installations classées de méthanisation relevant du régime de l'enregistrement (rubrique 2781), version consolidée
- Climatologia do vento no local, 2021–2025: reanálise ERA5 através da Open-Meteo Historical Weather API (16 setores, velocidade, dia/noite)
- Odour impact assessment, Bio Agrigas (Mullingar): Odour Monitoring Ireland report 2011A148(1)
- Odour emissions impact of on-farm biogas production with co-digestion: a case study in four European farms
- Bayle et al. (2018), Chemical Engineering Transactions, vol. 68, pp. 79–84: emissões de odor em três unidades de metanização em França
- Guidance on the assessment of odour for planning, version 1.1
- Odour Impact by Field Inspections: Method and Results from an Agricultural Biogas Facility
- ISO 9613-2: atenuação do som na propagação ao ar livre (método simplificado)
- Decreto-Lei n.º 9/2007: Regulamento Geral do Ruído (art. 3, 11 e 13, anexo I)
- REC: Noise Impact Assessment, Coursers Farm AD (AC100899-1R3)
- Redmore Environmental: Noise Impact Assessment, Rufford AD (ref. 1288-2)
- Aviso n.º 30765/2025/2: 1.ª Revisão do PDM da Guarda, art. 34 (zonamento acústico)
- EPA Irlanda: documento de licença com ruído de fundo rural noturno (LA90 30–31 dB(A))
- Environmental Noise Guidelines for the European Region (2018): tráfego rodoviário, Lden 53 dB e Lnight 45 dB
- Regulamento (UE) n.º 540/2014, anexo III: limites de ruído de veículos (N3, medição a 7,5 m)
- FHWA: níveis de ruído de passagem de camiões pesados (Lmax a 50 pés)
- Ata da reunião ordinária da Câmara Municipal da Guarda de 19 de junho de 2026 (Ponto 18, Proposta VPCM n.º 10/2026)
- Crop evapotranspiration: guidelines for computing crop water requirements (FAO Irrigation and Drainage Paper 56)
- Andrade e Ventura: Hargreaves-Samani vs Penman-Monteith em 20 estações portuguesas, Finisterra LIX(127) e33850
- EIA da Unidade de Produção de Biometano de Ferreira do Alentejo: Aditamento (T2025-028-02-EX-ENV-EIA-ADIT-0), AIA 599
- Parecer da Comissão de Avaliação, procedimento de AIA n.º 3857: Unidade de Biometano de Sousel
- UPB Torres Novas: Estudo de Impacte Ambiental, Aditamento (T2025-0064-02-EIA-UPB-TRN-ADIT-00)
- Best Available Techniques (BAT) Reference Document for Waste Treatment (JRC113018)
- Relatório Indicadores e Dados 2023 (RASARP 2024)
- População residente (estimativas anuais), indicador 0012918
- População residente por lugar (censitário), sexo e grupo etário: Censos 2021, indicador 0011790
- População residente por local de residência, sexo e grupo etário: Censos 2021 e 2011, indicador 0011609
- RASARP 2026, Vol. 2, Anexo III: Dados da qualidade da água (baixa), 2025
- Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Douro (RH3), 3.º ciclo: Fichas de Massa de Água, Volume I
- Aquíferos das Bacias Hidrográficas do Rio Tejo e das Ribeiras do Oeste (capítulo do LNEC, M. M. Oliveira)
- GHCN-Daily POE00100963 Almeidinha (fonte ECA&D), 1959–1998
- Normais climatológicas da Guarda (082), 1971–2000
- Normal Climatológica da Guarda 1991–2020 (v1.0)
- Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Douro (RH3), 3.º ciclo: Parte 2, Volume B
- Sistemas Aquíferos de Portugal Continental: Maciço Antigo, Introdução e Zona Centro-Ibérica (Almeida, Mendonça, Jesus e Gomes)
- MOV.AP: medições sobre imagem de satélite, outubro de 2026 (distâncias do limite da parcela à zona de exploração de água, quintas e aldeias)
- Boletim Climatológico Mensal, Portugal Continental, janeiro de 2013 a setembro de 2026
- SNIRH, dados de base: Almeidinha (10O/02UG), precipitação anual e mensal
- SNIRH, dados de base: precipitação anual em Codeceiro, Sobral da Serra, Freixedas, Maçainhas, Mourilhe, Pínzio e Ramela
- Planos de Gestão de Região Hidrográfica, 3.º ciclo: serviços ArcGIS (massas de água, pressões, estado, WEI)
- Qualidade da água: zonas de abastecimento do concelho da Guarda (população servida e origem da água)
- DGT: OrtoSat2023, ortoimagens de satélite de 2023 em cor verdadeira (serviço WMS)
- Carta Geológica de Portugal à escala 1:200 000 (serviço de mapas GeologiaUnica200k)
- MOV.AP: conhecimento local dos moradores sobre a «Zona de Exploração de água» a sul da parcela
- Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Douro (RH3), 3.º ciclo: Parte 2, Volume A
- Dados do controlo da qualidade da água para consumo humano: Zona de Abastecimento Caldeirão, 2.º trimestre de 2026
- OpenStreetMap: localização das aldeias de Avelãs de Ambom, Pêra do Moço, Rocamondo, Martianes e Verdugal e da igreja de Pêra do Moço
- AAPOR Transparency Initiative: disclosure elements
ALOHA (Areal Locations of Hazardous Atmospheres) 5.4.4 Technical Documentation, NOAA Technical Memorandum NOS OR&R 43
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Odour Impact by Field Inspections: Method and Results from an Agricultural Biogas Facility
ISO 9613-2: atenuação do som na propagação ao ar livre (método simplificado)
- Sem ligação pública
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FHWA: níveis de ruído de passagem de camiões pesados (Lmax a 50 pés)
Ata da reunião ordinária da Câmara Municipal da Guarda de 19 de junho de 2026 (Ponto 18, Proposta VPCM n.º 10/2026)
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- Sem ligação pública